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17 de nov. de 2016

Esse ano passou mas também surtou


Como o tempo passa devagar quando as coisas não vão nada bem. Esse está sendo o pior ano da minha vida com toda certeza depois de 94 e 2011.






Que ano difícil meu Deus!

Embora eu tenha sumido, reapareci como se tempo nenhum tivesse passado mas esse ano está sendo tão difícil.  Nem acredito que ele está acabando e os problemas não.

16 de nov. de 2014

A Caça à Raposa




 ontem eu estava estava assistindo televisão, uma coisa rara que faço em minha vida e fiquei rindo de um desenho do coiote que fica atrás do papalégua e nunca consegue pegar o danado do bicho. É um desenho que não tem fim. Igual o Tom que nunca não pega o Jerry. Quando pega, alguma coisa dá errado e eles voltam a estaca zero. Faz parte. O desenho é assim e ponto final. E não sei porque me vieram lembranças de quando eu era criança e morava em Honório Gurgel. Estávamos todos meus coleguinhas da mesma idade, Regina, Minhas irmãs, Lairton, Roberto, Alex, Ivam , Mocinha e Menininha, Gina etc.... Não me lembro do que estávamos brincando mas estávamos em frente a casa do dona Glorinha mãe do Renato e Rafael e Luizinho. A brincadeira de repente acabou porque passou por nós uma raposa correndo e atrás dela já haviam uma penca de crianças correndo atrás. Gente, não é todo dia que aparece uma raposa em um morro, ainda mais de dia e agente não poderia ficar fora dessa. Todos os meus colegas inclusive eu corremos atrás da raposa. Eu nem sabia pra a gente tava fazendo aquilo. Só que ela foi lá pra trás da casa do Dona Ondina, justo onde termina a rua e forma um abismo que olhando lá de cima se veem as casinhas pequenas lá embaixo. Só que pela lateral do quintal da dona Ondina tinha cercas e quase que metade das crianças voltaram e desistiram. Foram aquelas que já tinha vindo de longe e algumas mais medrosas que não queriam cair no precipício. Mas eu, Mocinha Menininha, Nelsinho, Ivam e não lembro mais quem agarramos na cerca sem olhar para baixo, tocava o pé onde dava e suada, suja e toda corajosa, lá fomos nós e conseguimos passar pelo abismo se pendurando na cerca da dona Ondina que hoje eu posso dizer que tava firme. A raposa já estava com a língua pra fora mas não parava de correr e lá ia a gente atrás dela. Mais alguns acabaram desistindo e voltando para casa com medo da mãe bater e outros porque estavam cansados mas eu não tinha reparado ainda nisso porque eu só corria atrás da raposa e não tirava os olhos dela pra ver por onde ela ia. Quando eu dei por mim eu estava no meio de um povo que eu não conhecia e que começaram a cercar a raposa de todo jeito. Apareceram homens já adultos, um bando de mulheres gritando pelas crianças, mandando elas irem pra dentro e um homem do nada veio com uma rede de pescar, que os outros chamam de tarrafa, acho que é isso e embolou a danada da raposa todinha ali. Foi então que eu parei e respirei com dificuldade de tão cansada e aí eu reparei que da minha turminha não tinha sobrado ninguém. Fiquei com medo. Sabia que minha mãe ia me bater quando voltasse porque eu estava em um lugar que eu não conhecia e nem sabia como fazer pra voltar. Me enchi de coragem e perguntei a uma mulher que estava com uma criança no colo e perguntei à ela que lugar era aquele e ela disse que era o Parque São Luis. Meus olhos já eram grandes mas tenho certeza de que ficaram bem maiores, porque eu conhecia aquele lugar de ouvir falar. Nunca tinha ido lá e é lógico que eu não ia saber voltar. Mas eu tinha que voltar para minha casa. estava com fome, sede e cansada e pra variar toda suja do barro de quando agarrei nas cercas e árvores pra não cair no abismo do fim da rua. Pedi a mulher um pouco de água e ela abriu a borracha que saia da bica e falou pra mim me virar. Estava deliciosa aquela água. Comecei a andar pelas ruas e via uma estrada passando lá no final, onde não tinha mais casas e corri pra lá achando que dali daria pra ver onde era minha casa. Não deu pra reconhecer nada. Meu coração começou a acelerar e fiquei com medo. Ali só passavam carros e caminhões e mais nada. Não tinha ninguém pra,mim perguntar nada, então resolvi voltar pro meio do povoado pra pedir informações. Falei o nome da minha rua e ninguém conhecia e falei a rua onde eu estudava aí sim um Cristão falou que sabia onde era. A rua dos Diamantes era onde a filha dele também estudava e ele me apontou a direção onde eu teria de andar sem parar, sem fazer curva, sem ir devagar porque era longe. Depois pra me apavorar disse que aquele lugar tinha muitos vagabundos e pra mim andar depressa senão eu só ia chegar à noite. Legal ele, nem me acompanhou depois dessa revelação macabra. Andei, andei, andei e olha que eu andei. Acho que nunca andei tanto na minha vida. Nunca tive tanta saudade da minha casa, nem estava mais ligando que minha mãe me desse uma surra contanto que eu achasse a minha casa e pudesse dormir na minha cama quentinha naquela noite. Quando o caminho que o homem me indicou estava quase acabando pulei de alegria. Eu conhecia aquele lugar. Estava em Rocha Miranda e mais um pouquinho eu chegaria lá na praça. Depois foi só achar a Rua dos Rubis, entrar na Diamantes e andar e andar e enfim cheguei na minha rua. Meus colegas traidores que me abandonaram ficaram tudo rindo de mim porque eles já tinham almoçado, tomado banho e sabiam que minha mãe estava há horas me procurando. E eles falaram na cara de pau que eu fui caçar uma raposa e que minha mãe ia me dar a maior surra. Minha mãe devia estar espumando em casa, pensando se batia com o cinto ou com a vara, ou sei lá com que. Xinguei todos eles, mandei pararem de rir porque eles eram tudo uns medrosos e disse que eu ajudei a pegar a raposa e eles nem viram. Contribui sim, já que os homens só viram a raposa porque eu corria e gritava pra ela parar e isso chamou a atenção dos homens. Depois que eles conseguiram pegar a danada, eles disseram que ia entregar no zoológico, mas pra mim eles iam comer ela ensopada. Fiz o sinal da cruz e entrei em casa. Estava tão cansada, tão cansada e tão suja que minha mãe ficou com pena de mim e falou: parece maluca garota. Você podia ter morrido, podia ter caido lá embaixo na barreira, poderia ter sido atropelada, Vai tomar banho que você tá horrível! Tomei banho quase dormindo. Almocei quase na hora da janta e depois me juntei aos amigos na esquina rindo muito e falando o tempo todo daquele dia. Acho que até hoje eles não acreditam muito nessa historia que eu vi pegarem a raposa, mas também, ninguem foi junto. Foi uma aventura. Hoje não consigo dar 3 passos e já tô cansada. Eta vidinha mais ou menos..






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28 de abr. de 2014


Estava animada naquela manhã. Tudo parecia que ia dar certo naquele dia tão bonito de sol depois de tantos dias de chuva e eu esta realmente animada. Acordei cedo e mentalmente fiz minha lista de afazeres mais urgentes pra não deixar escapar nada. Sai do meu quarto e fui até a cozinha e tomei um café com meu leite desnatado e uma fatia de pão integral com margarina e me levantei pra guardar minha caneca e começar o dia. Subi novamente as escadas para ir até o banheiro pegar o cesto de roupas para colocar na máquina e foi então que tive uma cólica intensa que me arrepiou o corpo e me fez suar bastante. Naquele momento pensei em gritar por socorro, mas a dor era tão forte que eu levei minha mão no abdome e gelei. Não conseguia falar, mas dali onde eu estava dava pra ver meu filho no computador e eu acenei pra ele que não entendeu a princípio. Desci as escadas e lembro que gritei pra ele: Vem cá! A besteira que eu fiz realmente foi descer as escadas, porque ali poderia ter acontecido coisas terríveis e piores. Cheguei até a sala já bem trêmula, respiração ofegante e o coração aceleradíssimo. Fui direto ao telefone e só pensei em uma coisa: pedir socorro. ... Abri meus olhos e estava no chão e meu filho apoiando minha cabeça em seu colo e gritando por mim. Olhei para ele e vi o segurança do condomínio na porta falando com alguém no celular. Meu filho tentava me acalmar porque eu queria levantar pra entender o que estava acontecendo. O segurança dizia. Fique sossegado. O socorro já tá vindo. Eu havia desmaiado e estava voltando a si. Sentia uma dor horrível na cabeça e quando passei a mão levei um susto com a altura do caroço que ficou. Minha cabeça bateu com força no chão. Lembrei-me da cólica, mas ela não existia mais. Só senti náuseas e meu filho me ajudou a ir até o banheiro pra eu poder vomitar. Mas eu não fazia isso. Só náuseas fortes e cada vez que eu sentia náuseas e meus ossos do peito doíam terrivelmente. O socorro não veio. Disse que não havia mais razão para vir já que eu já havia recobrado os sentidos. Meu marido estava viajando e de lá soube de tudo e pediu a um amigo nosso daqui que fosse lá em casa e me levasse em um hospital. Vinte minutos depois ele estava aqui ora me socorrer e meus filhos me acompanharam. A médica que nem me examinou e só fez perguntas sobre o que aconteceu me disse que eu tirasse um raios-X do tórax e voltasse nela pra mostrar o que deu. Depois de pronto falou que não tinha nada e estava tudo bem. Receitaram-me duas injeções, uma para dores e outra para dores musculares. Disse-me que eu devia ter desmaiado por causa do tamanho da dor que senti, dã... Isso eu já desconfiava. Comprei o remédio e voltei para casa na carona do grande amigo prestativo. Meu marido arrumou as malas e voltou para casa assim que soube de tudo. Passaram-se seis dias, o remédio da doutora acabou porque só dava pra cinco dias e a dor ainda era a mesma. Fui atendida por outro médico que ao olhar o raios-X identificou de cara duas costelas fraturadas e uma lesão próximo ao pulmão. Solicitou uma tomografia computadorizada que vou fazer somente amanhã porque o tomógrafo pifou. Ele passou o mesmo remédio que a doutora receitou, mas também pediu coleta de sangue com vários exames além do hemograma e mais coleta de urina. Todos os exames estavam com os valores acima dos normais e eu ainda não consegui mostrar pro médico porque ainda não consegui fazer todos os procedimentos que ele solicitou. Resumindo. Tô dolorida. Não sei o que me levou ao desmaio. Não sei se são só duas costelas fraturadas sem lesão em algum outro local e enquanto isso durmo de banda, quase sentada porque mal consigo respirar direito. Amanhã vou fazer a tomografia, mas só daqui a três dias saberei o resultado e somente depois disso é que passarei novamente por um médico para mostrar todos os exames e ver se ele chega a uma conclusão. Lembrei-me da Band que sempre fala. Em vinte minutos tudo pode mudar. E aquele dia que tinha tudo pra ser bom, virou um pesadelo que vai me fazer sentir dor por pelo menos seis semanas, que é o prazo das costelas colarem e pararem de doer. Isso se tudo der certo e não tiver nenhum agravante no meio dessa novela. Por isso queridos amigos do blog, estou aqui mais uma vez me desculpando pela ausência e pela falta de notícias, mas está dando pra eu fazer uma coisa e outra enquanto estou de pé ou sentada mesmo que seja por pouco tempo. O repouso tem que acontecer, senão não dá certo o tratamento para a cura e no mais tá tudo bem. Depois de segunda=feira devo ter mais novidades sobre minha saúde e mesmo que não te interesse eu vou te contar, porque você é um seguidor do meu blog e é pra você que estou escrevendo. Tenha um bom começo de semana e um bom feriado porque lá vem mais um no dia primeiro de maio. Ô Benção.

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30 de mar. de 2014

Antes que Março se vá.




Boa noite pra você. Bom estar novamente contigo. Já estamos terminando o domingo e ontem passei quase que a noite toda tentando colocar um layout no meu blog para que ele ficasse mais elegante, com facilidade de encontrar coisas e testei vários e vários modelos diferentes, uns bonitos, outros cutes e quando estava satisfeita vi que muita coisa saiu do lugar e o pior é que outras sumiram. Deixei pra lá minhas exigências e coloquei os modelos mais simples do próprio Blogger porque cheguei a conclusão de que, se eu não aprendi a fazer um do meu jeito, então deixa do jeito que está. E, ficou tudo arrumadinho, devolvi os gadgets novamente cada um para o seu lugar mas alguns ficaram irrecuperáveis, pois foram coisas que ganhei e não tenho mais o código. É lamentável, mas foi bom que acontecesse essas coisas comigo para mim aprender e não ficar mais tentando mexer onde eu não entendo. O bom de tudo é que agora eu vou ter mais tempo pra postar algumas coisas porque o mês de março foi brabo. Meu filho mais velho ficou adoentado, com algumas dores no peito, estive com ele na emergência de hospital, ele fez vários exames e depois teve que fazer outros e outros exames e embora ele seja de maior eu o acompanho o tempo todo, afinal eu sou mãe e mãe é isso. Só que ele nem tinha terminado de fazer os exames que foram pedidos e minha filha também teve febre, calafrios, vômitos e lá vou eu cuidar dela, levar no médico. Toma remédios, passa a febre, não se sabe se foi virose, se foi algo pior, mas ela ficou boa. Mas isso tudo nos degasta e nos aflige porque a gente quer que tudo fique calmo, parado, na rotina. Mas a vida não é assim e coisas acontecem às vezes pra nos sacudir, acordar e parar de sonhar um pouco. Os dois estão ótimos agora. O rapaz vai mostrar todo o resto de exames somente em maio, porque é quando a médica pôde agendar pra ele. Não tem sentido mais dores e não tem problema de coração e nem pulmão. A menina tá melhor. Não está cem por cento mas vai ficar e por conta disso, tive uma crise de pânico, que me ataca toda vez que as coisas saem totalmente da rotina e eu não posso resolver. Fique aflita, nervosa e tive pânico. Mas, graças a Deus que eu já tenho o remédio que controla essas crises e melhorei. Passou. Agora é respirar fundo e dar continuidade a vida, aos prazeres , às poesias, aos artesanatos. E por falar em artesanatos, estou bolando umas cestinhas para a páscoa e criando uns coelhinhos bem bonitinhos como lembrancinha. Depois eu posto para mostrar a vocês como ficou. Agora eu estou animada e espero que as coisas continuem do jeito que está, porque vou te contar, foi brabo mesmo este mês de março. Mas antes que ele acabe totalmente ainda dá tempo de desejar a todas as mulheres que aparecem pelo meu blog, seja pra olhar novidades, seja pra pegar uma moldurinha, seja abraçada e homenageada pelo mês da Mulher e que nós sejamos fortes enquanto tivermos por este passeio maravilhoso que é a vida. E aos homens que por aqui comparecem e que tem uma mulher especial na sua vida, um abraço também e obrigada pela visita de todos vocês. Tenham um bom final de domingo e que a semana que se inicia daqui algumas horas seja tranquila e com muitas novidades boas pra todos vocês.


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15 de fev. de 2014

Sábado abençoado!



Boa tarde pra você! Hoje acordei cedão, tipo dez horas e me arrumei e fui toda boba pro mercado fazer comprinhas, porque marido tá viajando e mim precisar fazer compra. Mim não sabia é que não tinha baú (ônibus) no sábado e domingo e aí a caminhada foi dura. Caminhei tudinho que eu deveria ter caminhado pelas ordens médicas. Quebrei a cara. Andei mais que notícia ruim. Ainda peguei o buzão errado e tive de voltar. Só Deus prá ver minha cara de sofrimento. Mas mim não desistir. Cheguei no destino e fiz o que tinha que fazer e enfrentei fila de pagar e peguei buzão de volta e andei e andei e andei. Até que mim chegar em casa. Sofrida, feliz, com bolha que deu num pé. Ainda bem que foi só em um, porque eu tenho dois. Abri a porta de casa, joguei tudo no chão, respirei fundo e fui beber café. Aí quando eu sentei, a chuva caiu e eu olhei pra janela e falei: Obrigado Meu Deus por ter me deixado em casa sem me molhar. E eu ainda estava reclamando do peso da bolsa. Com chuva seria bem pior não seria? Aproveitem, tenham um bom sábado e não esquece que hoje à meia noite termina o horário de verão então se você tiver no lugar que tem isso, coloca o relógio de volta prás 11 da noite e logo depois você vai ter outra meia noite. Aí já pode dormir.










14 de fev. de 2014

Há males que vem para o bem

Primeiro quero explicar o porque escrevi o que está logo abaixo desta publicação que minha amiga Regina compartilhou hoje no facebook e não concordando com algumas ou quase todas essas palavras resolvi explicar minha história de vida resumidamente.




      De vez em quando eu fico aqui pensando com meus botões e me vem imagens que eu gostaria de apagar, mas isso se chamam fortes lembranças e elas não se apagam, quando se tem uma memória boa. Claro que tem coisas boas e coisas ruins e tem um ditado que serve direitinho para essa estória que eu vou contar que lembrei agora: "Há males que vem para o bem".
       Quando eu era pequena (ainda sou) rs, tínhamos muitas dificuldades financeiras porque meu pai era autônomo e nem sempre conseguia trabalho pra fazer.
      De vez em quando ele se arriscava a trabalhar em empresas com carteira assinada, mas era por pouco tempo.
      Ele sempre achava um defeito na empresa e saía fora e voltava tudo como era antes no Castelo de Abrantes.
      Surgia as dívidas, o aluguel atrasava e sem ter como pagar, tínhamos que nos mudar várias vezes e nos sujeitar com ajuda financeira dos parentes.
      Isso era comum e rotineiro, até que minha avó Idalina vendo que íamos já, já sair de outra casa que não poderia ser paga, nos convidou a morarmos em sua casa dos fundos, já que a da frente  que ela estava construindo, estava quase pronta e lá fomos nós, para Honório Gurgel.
     Assombrosamente meu pai conseguiu um emprego em uma empresa que não interessa o nome e começou a fincar os pés por lá.
     Só que ele danou a viajar muito só que a gente não via a cor do dinheiro dele, porque ele já não precisava pagar aluguel, nem água e nem luz. Pelo menos ele achava que não precisava, mas meu avô pedia uma colaboração de uma parte da luz já que estava vindo mais caro e ele achava que não custava nada ajudar.
      Meu pai fingia que nem escutava.
      Bem, foi nesta época que meu pai perguntou a mim e às minha irmãs se gostariíamos de fazer um curso de datilografia, inglês, costura, qualquer coisa pois isso nos ajudaria no futuro.
     Eu quiz logo fazer datilografia porque achava chic aquelas mulheres nos escritórios datilografando.     
      Eu com 12 anos fiquei craque na máquina de escrever e concluí meu curso em Rocha Miranda e depois ganhei uma remington lettera portátil para ficar praticando.
      A Leila se não me falha a memória quiz fazer corte e costura e Leni também fez a datilografia e inglês.
      Enfim, foi um gasto bem empregado, já que ele não tinha costume de comprar roupas pra gente.
      Eu lembro que minhas roupas pelo menos as minhas e da Leila eram da Elizabeth, filha da madrinha do meu tio que morava na Tijuca.A Leni quase não aproveitava nada porque era mais fortinha e  eu e Leila éramos magricelas.
      Minha avó passava roupas para a mãe da Elizabeth que era filha única e tinha sempre roupas bonitas sobrando e nós usávamos as que ela não queria mais.
       Os brinquedos também eram todos da Elizabeth que eu nem cheguei a conhecer. Sei que eram delas porque minha avó falava quando trazia os pacotes e entregava pra minha mãe que distribuía pra gente e a gente ficava rindo á toa.
     Teve uma vez que meu pai chegou em casa cheio de sacolas de roupas novas e a gente ficou encantada, mas o encanto acabou na hora em que ele falou que eram todas para ele usar, pois ele estava em um setor que precisa se apresentar bem e as roupas dele tinham que ser mais novas e bonitas.
      Essa estória dele vir com montes de sacolas se repetiram muitas vezes e minha mãe ficava chateada. Eu não sabia o porque.
       De repente ele começou a ter de viajar.
       E viajava muito. E ficava muitos dias viajando.
      Sumia. Voltava e ia novamente e sempre pro mesmo lugar e sempre pela Itapemirim.
      Minha mãe ficava de bico e eu só fui entender, quando do nada, saiu uma reportagem no jornal O Dia, jornal de grande circulação no Rj e minha mãe lia todos os dias, falando  sobre um acidente que ocorrera com um dos ônibus da Itapemirim que fazia o mesmo trajeto dele.
      Seria o dia dele voltar lá do lugar que ele disse que ia a viajem. Minha mãe mais que rápido ligou pra empresa e acho que foi a primeira vez que ela fez isso e acho que a última também.
     Ninguém da empresa sabia de viajem nenhuma  e disseram que ele estava na empresa e bem,  e que isso com certeza não tinha nada a ver com ele. Pronto. Ferrou tudo.
      Depois dele chegar em casa, após a suposta viajem , ficou marrento em saber que ela ligou pra saber dele.
       Desta vez ele teve de explicar porque que focinho de porco não era uma tomada até convencer minha mãe, demorou foram anos.
      Aliás ela sabia o que estava acontecendo. Nós ainda não. Nesse meio tempo ele viu que a Leila tava se saindo bem nas costuras e resolveu comprar tecidos para ela fazer o nossos próprios uniformes de colégio e não parou mais. Encheu a casa de tecidos.
      No casamento do meu tio Waldemir fui com uma calça Benito de Paula cor de abóbora e uma blusa qaudriculada azul e branca feita por ela. Que orgulho! Primeira roupa nova depois de anos.
       E ela não parou mais.
       Teve o casamento da Fátima e ela fez um saia comprida para mim fazer chic na festa e lá fui eu de roupa feita por Leila. Era um tecido fino e lilás eu eu lembro como se fosse hoje.
       Meus pais já estavam separados, só que ainda moravam juntos e a gente nem sabia.
       Uma vez resolvemos eu e Leni irmos de ônibus pra escola por causa da preguiça de ter de andar a pé porque a escola era longe e quando estramos no ônibus demos de cara com meu pai e uma moça loura abraçados e rindo muito. Sentamos atrás deles e quando ele nos viu, ficou amarelo, azul, roxo, mas apresentou a moça como colega de trabalho dele.
      Só não entendi de onde ele tava vindo ou indo aquela hora. Sem muita noção do perigo falei com minha mãe o que aconteceu e ele ficou bicuda. Deu a maior discussão de noite quando ele chegou.
       Tá, mas isso são fatos menos importantes ,pois anos depois nos mudamos e 3 anos depois mais precisamente em março de 1979 eles se separaram de vez.
      Anos depois fiquei sabendo que eu tinha uma irmã que nasceu em março de 79 e que meu pai tava morando com a tal moça que eu vi no ônibus. Tá explicado a história.
     Com tantas roupas que a Leila aprendeu a fazer, hoje ela tem uma confecção junto com o marido e trabalha fazendo e vendendo roupas e muito bonitas de ginástica. Passa o dia todo na máquina, mas faz o que ela gosta, pelo menos eu acho que gosta ainda.
       Leni também depois largou a datilografia de lado e todo seu inglês que ela possuía e foi costurar também e conseguiu com muito esforço fazer bikinis, maiôs e etc.Hoje, ela dá aulas até. Tem uma linda loja e tudo com a idéia do meu pai lá longe quando tínhamos 11, 12 e 13 anos de que isso deveria servir pro nosso futuro e serviu.
       Eu não consegui realizar o milagre das costuras, pois não levo muito jeito pra isso. Mas tenho uma máquina de costura de pouco mais de 2 anos e já consegui fazer umas bolsas, umas lixeirinhas de carro, coisinhas assim , simples pra casa e nada mais. Meu forte hoje é reciclar. Faço artesanatos pra passar o tempo e de vez em quando consigo vender alguma coisa. Por mais de vinte anos trabalhei como datilógrafa, depois tive de fazer um curso de digitação pra pegar a intimidade com um computador porque naquela época diziam que a tal da máquina chamada de computador  dominaria o mundo e que a datilografia e estenografia iriam acabar e eu não acreditava, mas resolvi investir em mim e fiz um curso pra aprender a digitar e ai de mim se não tivesse feito isso.
      Moral da estória. Meu pai era um danadinho e sabia que tinha de deixar-nos preparadas para o futuro porque ele já tava com um pé dentro e outro fora de casa e com isso quem saiu lucrando fomos nós, irmãs espertas.
      Eu sei que você não tem nada a ver com isso e não tenho raiva do meu pai por isso não, pois quando ele se separou da minha mãe, ela ficou mais bonita e voltou a trabalhar coisa que ele não admitia quando estava em casa, arrumou um namorado, curtiu muito a vida.
       É isso. Tem pais e pais. Minha mãe foi os dois para nós depois disso e antes disso também.
       Pai e mãe. Pena que ela já se foi e hoje é só saudade.
     Aprendi que não adianta chorar e sim correr atrás e continuar a lutar, porque a vida não pára pra que você ajeite sua vida.
     




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16 de mar. de 2013

Aconteceu comigo

plants e zumbis



      Esse é um dos meus jogos preferidos e por conta dele não faço quase mais nada no blog, em casa, etc… Bem que eu tento, mas ele é viciante demais. Mas a vida tá passando e como eu já adiantei bastante as fases novamente, sim porque eu já zerei as fases e estou jogando tudo de novo, resolvi dar uma pausa e voltar a vida normal. Dizem que não tenho muito juízo na cabeça e já estou concordando com isso porque faço coisas que uma senhora na minha idade não faz.
     Já me falaram que tá na hora de procurar um crochet para passar o tempo em vez de ficar jogando video game.
     Bem, vocês devem ter imaginado o que eu respondi e como o meu blog é aberto nem posso me dar ao luxo de digitar a resposta que foi dada gentilmente a pessoinha que me deu esse conselho.
     Talvez quando eu estiver lá próximo dos meus noventa anos ( que eu não acredito que chegue a tanto) , talvez eu pense em fazer uma coisa assim mais light tipo brincar de video games no computador se eu ainda enxergar e puder me mexer. Acho que vou conseguir porque eu sou do tipo que arruma a casa dançando e cantando e converso com os pratos e talheres enquanto lavo a louça. Não paro um instante e geralmente se paro todos vem ao meu socorro porque sabem que estou passando mal.
     Bem gente eu estive fora do ar, não foi por causa de jogo nenhum não, porque eu sempre joguei e meu blog tava sempre atualizado, mas é que aconteceram boa novas por aqui e eu tive de correr atrás de algumas coisas pessoais. Mas é coisa boa para se resolver. Tive de pegar uns ônibus, fiz alguns dos exames periódicos que toda mulher faz e é isso.
     Agora que minha vida voltou ao normal resolvi dar uma passadinha por aqui para dar uma satisfação a vocês que me seguem, me acompanham, gostam de novidades e pra não dizer que só voltei pra ficar de papo furado, vou contar para vocês uma historinha que aconteceu comigo quando eu ainda era aborrecente e que deve deixar vocês de cabelos arrepiados. E uma história verdadeira e esquisita. Se você tem nervos fracos, não leia.
     Era noite de uma sexta qualquer e o ano eu lembro bem era 1979 e eu trabalhava em Madureira e quase sempre passava pela casa da minha irmã para ver meu sobrinho que tinha acabado de nascer e seria meu afilhado. Além de tia coruja eu era uma madrinha dedicada, aliás sou até hoje porque o rapazinho hoje tá lindo com seus 33 aninhos e me chama de dinda o que me deixa toda toda.
     Bem, antes de passar na minha irmã fui direto para casa , tomei um banho e avisei a minha mãe que eu eu ia pra casa dela ver meu afilhado e levar umas coisinhas que eu sempre comprava para ele. Minha mãe me recomendou que eu não voltasse tarde e eu respondi que ficasse fria porque antes das sete eu voltaria, porque ainda não teria escurecido.
     Cheguei lá e em meio aos paparicos feitos ao meu lindo, conversei bastante e o tempo passou que passou. Eu nem vi e já eram quase 10 horas da noite. Falei “caramba!!! Falei pra minha mãe que 7 horas eu tava de volta, ela deve estar preocupada” Vou embora.
     Minha irmã falou: “tá maluca? Uma hora dessa com essas ruas tudo vazias e a bandidagem solta lá fora. Não senhora, vai dormir aqui.!” Falei que não podia fazer isso senão minha mãe ia ficar nervosa. E minha irmã disse que nada ela sabe que você está aqui e nem vai ligar. Você é meio peidada mesmo. Ela já sabe que tu não vai mais voltar, ainda mais uma hora dessas.
     Depois de muito fica, não posso, dorme, não posso, resolvi ir e com o tempo perdido entre esses vai, não vai, já eram quase 11 horas da noite. Eu tive um pouco de medo e pedi pro meu cunhado me levar até o portão e ficar me olhando até eu sumir e a rua que ele morava tinha uma curva bem no final onde dali ele já não me via. Eu olhei pra trás e não via mais ele e nem a casa. Fiquei com medo mas eu só tinha que atravessar a rua onde os carros passavam e entrar por uma vila que cortava caminho pra rua que eu entraria e sairia próximo da rua onde era minha casa.
    Enquanto eu aguardava os carros que iam e vinham e eram poucos, me detive e fiquei em dúvidas de seguir ou não adiante porque haviam dois rapazes que pareciam ser gêmeos na entrada da vila que eu teria de entrar.
Eles não estavam conversando. Ficavam parados iguais dois sentinelas, como se fossem seguranças da vila e quando enfim achei uma brecha pra atravessar eles começaram a andar na minha direção.
     Voltei do meio da rua que eu atravessava e fingi voltar pra rua do meu cunhado. Eles voltaram e ficaram lá no mesmo lugar e do mesmo jeito. Gelei. Sei lá quem eram. Eu não conhecia. Só sabia que eram gêmeos e lembro bem da camisas dos dois que tinha gola alta e fechado no pescoço igual gola de padre e eram brancas. Os dois estavam de calça social cor escura e não pareciam ser do mau.Mas fiquei hesitante.
     Mais uma vez orei, fiz o sinal da cruz e fingi que ia atravessar, mas desta vez olhando bem pros dois que imediatamente saíram das suas posições e vieram novamente em minha direção.
     Como notei que os passos deles eram um pouco mais apressados, dei meia volta e corri o mais que pude pra casa do meu cunhado e correndo olhei pra trás e eles estavam vindo atrás de mim. O portão já estava fechado e gritei tanto, tanto que meu cunhado veio que nem uma bala abrir o portão e eu entrei quase atropelando ele e ele perguntando que que foi e eu falei: “fecha o portão senão eles vão querer entrar"!” Isso as berros e apavorada e meu cunhado disse que não tinha ninguém e simplesmente eles haviam sumido sem mesmo dar tempo do meu cunhado ver alguém. Eu fiquei cismada, porque eles estavam bem juntos a mim, quase agarraram meus cabelos e teriam que estar sumindo lá na curva se tivessem voltado, mas eles simplesmente desapareceram.
    Fiquei sem entender e meu cunhado dizendo que foi impressão minha que não tinha ninguém e minha irmã ainda falou que foi bem feito porque ela pediu pra mim dormir lá. E como meu medo era maior do que minha preocupação no momento resolvi ficar por ali mesmo, sossegar meu facho  e dormir e quando fosse bem cedo eu voltaria pra casa, com o dia claro, gente na rua e pediria desculpas a minha mãe.
     Acordei por volta das sete da manhã e pra não acordar ninguém deixei um bilhete pra minha irmã e abri a porta, peguei minha bolsa , tranquei a porta novamente e joguei a chave lá dentro como eu havia colocado no bilhete.
     E de novo me deparei com a entrada da vila, mas desta vez, estava livre e um monte de gente na rua, nos pontos de ônibus e o comércio já aberto e eu fui toda serelepe para casa. Atravessei a vila e quando cheguei na rua que dá acesso a rua que eu moro, vi uma multidão bem próximo da entrada da minha rua e tinha até um carro da polícia parado lá na muvuca.
     Como eu tinha que passar por ali, porque era meu caminho, dei de cara com uma conhecida minha de nome Márcia morta no chão cheia de tiros.
     Fiquei nervosa, gelada, arrepiada e quando cheguei em casa  a minha mãe já sabia do ocorrido lá na rua e foi logo falando; “ graças a Deus que você dormiu na tua irmã, senão poderia ter sido você!”  E conversei sobre aqueles homens que eu havia visto na noite anterior e ela se arrepiou e falou: que ou eram anjos protetores para que dali você não passasse, ou não sei quem eram. Bandidos não pareciam ser, mas bandido hoje tem de todo jeito mas naquela época ainda não. Meu tio me disse  tempos depois que eram Cosme e Damião dos quais sou devota desde qeu me entendo por gente. Depois analisando tinha uma coincidência já que eram gêmeos e eu nunca mais até hoje via aqueles dois em lugar nenhum na minha vida.
     Foi isso. De outra vez conto outras historias que já aconteceram comigo pra vocês ficaram refletindo um pouco. Fiquem em paz. Bastantes luz pra vocês todos e  que tenham todos um bom final  de semana.
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15 de set. de 2012

Saudade não tem idade



                                                     



      Há muitos anos atrás, eu ainda adolescente, ficava toda arrepiada quando ouvia uma certa música dos Fevers no rádio.
      Eu dava um grito histérico, aumentava o volume e cantava junto com eles, aquela que eu julgava ser a música mais bonita que eles haviam gravado.
      O tempo passou e eles continuaram cantando, fazendo shows e eu nunca tive oportunidade de ir a nenhum deles.
      Comprei um album duplo na promoção de uma loja e corri prá casa para ouvir. São dois cd's com uma penca de músicas com o título "As melhores dos Fevers".
      Mas,  para meu desencanto a "minha música" não estava ali.
      Tudo bem, alguém elegeu as melhores como sendo as do disco. Mas, para mim ficaram faltando a minha música preferida e mais uma que eu colocaria como segunda música mais bonita. Como eu já disse, gosto da banda, das suas músicas e já decorei as letras de quase todas elas, mas ficaram me devendo duas belíssimas que eles gravaram e que prá felicidade minha, encontrei na internet e fiz download. Agora tá tudo completo.
     Escutei ela na minha terra natal, agora em julho quando estive na casa da minha irmã mais velha.
     E não deu outra.
     Me arrepiei do mesmo jeitinho que eu fazia do tempo de adolescente. E pra parar de enrolar, a minha música preferida deles é "Alguém em meu caminho" e a outra deixa prá lá.
      Prá quem não conhece ou não lembra, a letra eu consigo mostrar aqui.
      Agora deixe-me matar as saudades...


 

 

28 de ago. de 2011

Sou E.T.


                                                                             

 
     Olá para todos vocês. Espero que o final de semana que está se acabando esteja tranquilo com todos. O meu está cansativo, mas tá legal. Minhas crianças estão melhores e fora a sêca que tá sufocante o resto aqui tá legal. Hoje eu vim prá falar abobrinhas. Bater papo mesmo.
     Coisas incríveis estão acontecendo na minha casa. Eu, que não gostava de ver tv agora estou vendo alguma coisa, como noticiários e programas de humor. Vejo pouca coisa como o Pânico na TV e Zorra total. Quanto ao Zorra Total só vejo o quadro da Janete e Valéria Vasques que eu acho o maior barato. "Elas" me fazem rir muito e eu gosto de me divertir nem que seja por poucos minutos. Já chega a vida tão amarga na maioria das vezes. Outra coisa incrível foi que meu marido agora resolveu aderir aos noveleiros de plantão e está acompanhando uma novela que começou na Globo acho que semana passada. Tem um tal de "Pereirão" que é uma mulher que faz de tudo um pouco prá sustentar os filhos e acabou que eu ganhei o apelido da dona porque aqui eu faço muitas coisas tipo, fazer um portão prá varanda, pintar muro, pintar portão, encimentar um pedaço de chão que necessite de uma massinha, consertar coisas que quebram e por aí vai.
      Mas eu não sei de mais nada da novela porque eu não vejo novela. Não vejo porque não tenho paciência de ter de acompanhar por meses e meses só prá ver como ela vai acabar. Deus me livre desse negócio. Gosto de filme porque começa e acaba no mesmo dia. Nem aqueles últimos filmes do Harry Potter eu quiz saber de ver porque disseram que ele seria partido no meio e só acabaram com o filme quase um ano depois.Esse negócio de parte 1 e 2 tô fora. Deus me defenda dessas coisas.Mas, respeito quem goste.
     Bem, eu sou assim. A maioria das pessoas não são e é por isso que novela dá ibope. Donas de casa costumam gostar, assistir e até torcer para os malvados se lascarem no final e os bonzinhos se darem bem. Já vi muito disso em muitas casas que fui. Fico danada quando vou no Rio passear e o povo pára o papo porque tá na hora da novela. Acho isso um absurdo. Mas, não adiantar eu não gostar e muito menos fazer bico. O resto todinho gosta e correm todos juntos só prá ver. Eu fico esperando o povo voltar. Fazer o quê?
     E por conta disso acabei virando ET.
     Não tem um mortal que me ache normal quando eu digo que não vejo novelas Só porque não vejo novelas. Mas eu vejo televisão!
     Vejo notícias, vejo "todo mundo odeia o Chris", vejo Rodrigo Faro no sábado, depois Zorra Total prá ver Janete e Valéria e Pânico na Tv. Acho que tá de bom tamanho. Ah... também gosto de ver uns desenhos de vez em quando. Mas, só alguns.
     E aí aconteceu que semana passada eu fui no salão cortar meus cabelos e a dona me perguntou o que eu achei do final da novela. Eu perguntei:- que novela? Aí ela falou o nome da novela que eu até esqueci e expliquei a ela que eu não via nenhuma.
     Ela arregalou uns olhos tão grandes que eu fiquei com medo dela. Minha filha ficou rindo porque sabe que eu não vejo e respondeu por mim. "Ela não vê novela"!
     Nossa! A mulher fez uma cara pior ainda. Não vê????? Porque  não vê? Sua tv pifou? Eu disse que não. Eu respondi que só não via novelas, mas eu gosto de ver alguma coisa. E ela ainda inconformada me disse para meu desespero que "hoje é dia de vir no salão prá falar do final da novela!!!" E eu tive de pedir desculpas mas eu não saberia conversar sobre esse assunto porque nessa eu tô desinformada.
     A mulher ficou balançando a cabeça com negativos, como se tivesse pensando...  Como é que pode? Nunca vi isso! Bem que eu tentei falar de mim, de arte, de poesia, artesanato. Mas ela toda hora pisava em mim e atirava a pedra por causa do "raio" da novela. Ela queria porque queria saber o final da novela.
Perdi a paciência. E tive de ser grossa. E falei prá ela. Então hoje não vai ter conversa. Eu vim prá cortar meu cabelo, não foi prá falar de novela.Só faltou a imagem do cavalinho do Pânico na tv.
      Caramba! Depois fiquei com medo dela fazer uns ninhos de rato na minha cabeça e fiquei olhando atentamente cada tesourada que ela dava nos meus fios. Graças a Deus no final deu tudo certo. Não saí careca nem com buracos na cabeça. Paguei e vazei.
     Ora, onde está o respeito pelas diferenças? Eu me senti vítima de preconceito. A mulher parecia não estar nada satisfeita porque eu não vi o final da novela. Chupa essa manga!
     Quando retornei para casa já vim refletindo sobre o meu "eu". Que raio de mulher sou eu que não vejo novelas? Até onde isso poderia afetar meu convívio social? Será que realmente sou diferente ou as pessoas que são muito iguais? Será que eu deveria realmente saber que desfecho teve a novela que estava no ar prá contar prá alguém e ter conversa prá gastar?  Sei não, mas acho que esse mundo tá ficando meio perdido.
     Foi uma coisa que me fez refletir.
     Lembrei de um trecho do poema de William Shakespeare onde ele dizia " não importa em quantos pedaços seu coração foi partido. O mundo não pára para que você o conserte." Pois é.... Fui cortar o cabelo e cortaram meu coração. Me senti magoada. Mas isso passa. Tudo passa não é mesmo? Eu hein! Cada uma que me acontece.




7 de jul. de 2011

Lembranças de infância





Hoje eu estava conversando com a minha filha sobre a violência que anda acontecendo nas escolas, brigas, pedofilia e falávamos de vários assuntos diferentes, até que surgiu um assunto por qual eu passei na minha infância e que na época me fez rir muito. Não tinha nada a ver com a nossa conversa inicialmente, mas ela tomou um rumo e começamos a falar de gente fofoqueira.
      Lembrei-me de uma vizinha que eu tinha lá no morro de Honório Gurgel, que era muito fofoqueira.
      Ela ficava atrás do portão, vigiando pelos buraquinhos de ferrugem tudo que acontecia na rua. Queria ver se pegava alguma coisa interessante, algum furo, sabe lá o que aquela mulher estava procurando.
     Mas até então nós não sabíamos que ela fazia isso. Eu tinha mais ou menos uns 12 ou 13 anos, não me lembro bem. Eu, minhas irmãs e vários colegas, quase todos da mesma idade estávamos brincando na rua de pique bandeira e outras brincadeiras e já no final da noite por volta das 10 horas, ouvimos um barulhão e logo em seguida um gemido. Percebemos que o barulhão vinha da casa da “dona” e ouvimos quando a filha dela ficou gritando socorro pra acudir a mãe dela. De repente a vizinhança tava toda na porta da casa da “dona” e um dos meus colegas subiu no muro dela pra ver o que estava acontecendo e saiu de lá rindo e correndo pra espalhar pra gente. A mulher havia caído de cima de um latão que ela havia colocado atrás do portão pra nos vigiar e desequilibrou caindo com tudo no chão, fazendo aquele estrondo e acabou fraturando o braço.
     Nós não queríamos, mas rimos muito porque ela poderia estar dentro de casa fazendo crochê, vendo TV ou dormindo, mas não, ela tinha que vigiar a rua e precisou cair pra todo mundo saber que ela era fofoqueira. Que coisa feia!
     Depois de tudo passado e ela já tinha até tirado o gesso, toda vez que a gente ia falar da “dona” a gente se referia à mulher que caiu da lata porque tava fofocando. Até hoje eu lembro do barulhão e fico rindo quando lembro dos gemidos. Se eu fosse ela me mudava de lá rapidinho, porque fofoqueira foi o apelido mais light que ela ganhou depois disso, sem contar que tinha vergonha de olhar pra qualquer vizinho quando passava pela rua. Ô meu pai!




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3 de jun. de 2011

                                                          



Hoje pode ser uma quinta-feira qualquer, pode ser que seja especial , pode ser que seja chata e sem graça e não te diga absolutamente nada. Não faz mal. Não é prá ser especial para todos. Alguns acham que sim, outros não estão nem aí, mas quando nós estamos aniversariando, pelo menos comigo é assim, ficamos meio que bobos. Ficamos um pouquinho mais sensível que o normal. Ficamos fazendo uma retrospectiva da vida que já vivemos até então.
Eu faço assim porque me sinto especial neste dia e vou relembrando tudo que se passou na minha vida, tim-tim por tim-tim, coisas boas, coisas ruins, coisas engraçadas, inesquecíveis, bobas, tristes, sem graça e por aí afora.
E lá no fundo do meu baú de lembranças acabo pegando alguma coisa valiosa. É valiosa porque é uma ótima lembrança e que sempre que eu posso eu comento ela com alguém e digo suspirando: aquele foi um aniversário inesquecível. Nunca esqueci dele, porque foi muito legal e comovente.
Eu estava chegando do trabalho cansada e pensando em dormir cedo para o outro dia de batente. Era meu aniversário e quase ninguém havia me desejado felicidades, apenas a empresa em que eu trabalhava me deu um cartão porque ela dava pra todo mundo que fazia aniversário e era de praxe receber um cartão daquele. Mas, eu estava triste porque as pessoas mais chegadas, mais amadas, mais importantes para mim não haviam dito absolutamente nada.Pareceu-me que todos haviam esquecido do meu aniversário e fiquei um pouquinho tristinha. Entrei pela porta da sala e fui direto prá cozinha e falei com minha mãe que não queria jantar e que eu iria tomar um banho e dormir. Ela falou que nem pensar em dormir sem comer, que eu tratasse de descer do quarto e vir comer alguma coisa e eu insisti que não queria. Ela então me pediu para fazer um favor prá ela antes de dormir e retirasse as roupas do varal que era nos fundos da casa e como a porta estava trancada, rodei a chave e quando abri, fiquei gelada. Todas aquelas pessoas mais chegadas, mais amadas e mais importantes para mim estavam ali, reunidos, cantando parabéns prá você numa incrível e inesquecível festa surpresa. Eu estava comemorando trinta anos e nunca tinha tido uma festa surpresa, aliás nem nunca teve festa no meu aniversário. Foi muito legal, minha avó me abraçando, meus irmãos, minha mãe, Manel, Nuno, Thaís, Roberta, Vívian, pôxa, cheguei a ficar sem jeito. Me deu vontade de chorar mas eu não chorei naquele dia, mas agora depois de muito tempo longe de todos eles eu choro, principalmente quando leio o cartão que eles fizeram e que todos assinaram que eu guardo até hoje com muito amor e muito cuidado.




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19 de mai. de 2011

Sábado diferente


     
         Morar na roça é complicado. A gente nunca sabe o que vai acontecer de novidade e qualquer coisinha que acontece é motivo de euforia e é considerado uma novidade, já que o lugar em que eu moro parece mais o lugar onde o Coragem o cão covarde mora, "terra de lugar nenhum".
As coisas não acontecem, não andam, não se resolvem, não se justificam, não alegram, não entristecem, não se mexem. As coisas simplesmente não chegam neste lugar. Nem os correios vem com frequencia por aqui, não chega a banda larga, não chega água decente prá se consumir. E quando qualquer coisa quando acontece é uma festa. Digo festa em tom de ironia, porque o alarde é tão grande e às vezes por pouca bosta. MAs, quanlquer coisinha é motivo de festa.
Esse sábado foi mais ou menos assim. O sábado tava legal, com sol, muita gente na rua (umas 10 crianças) e uns gatos pingados de alguns adultos diferentes porque eram visitantes de alguns poucos vizinhos que eu tenho, 15 para ser exato.
Rua pequena, lugar esquisito, com mato em tudo é quanto é canto. Cercado de matagal, porque já tinha virado floresta de tão pouco caso do administrador aqui da área. E o que aconteceu de repente? Pois é. O mato pegou fogo!
Eu estava fazendo meu almoço e escutei a criançada na rua gritando prá chamarem o bombeiro porque o fogo estava alto demais e foi um corre corre dos diabos de gente com baldes na mão pagando mico né, porque balde não apaga fogo em um matagal tão extenso e tão seco.
E o fogo foi se alastrando e querendo se esfregar nas cercas das casas e foi um bafafá, uma confusão. Até eu, que não saio na rua fui ver de perto a situação.Passei a mão no meu celular e chamei os bombeiros mas eles haviam dito que já estavam a caminho e que já haviam recebido vários chamados. Sabe como é, agora todo mundo tem celular.
Quando eles chegaram aí sim foi uma festa. Eles chegaram tocando sirene, com aquele carrão vermelho possante, diferente de tudo que a gente vê no dia a dia da roça. Isso sim é novidade! Tinha gente tirando foto, gente filmando. As crianças estavam felizes apesar do problema ser sério. Era pelo acontecimento! Afinal, não é todo dia que o mato aqui pega fogo e fica com labaredas tão enormes e os bombeiros vêm por aqui dentro do terreno.
Como se não bastasse, o primeiro carro dos bombeiros não deu conta de apagar o fogo que era demais e o mato enorme e a água ficou pouca e acabou acabando.Os bombeiros pediram reforços. Outro carro chegando. Outra festa. Mais novidades. Mais bombeiros, mais água. Mais farra nas ruas para as crianças.Crianças adoram essas coisas.
Os adultos pegaram emprestado abafadores e deram tapas no mato para evitar que novos focos se espalhassem. As fuligens subiram com o vento e sujou as roupas do varal, o quintal que eu havia varrido, a rua, as outras casas, realmente uma grande confusão.Até meu cachorro estava cheio de fuligens no pêlo.
Fumaça na rua não faltava. Não dava nem mais prá ver a rua, só tinha fumaça. Teve um menino, meu vizinho que lembrou bem e falou: - tia, parece até aquele filme "O nevoeiro".Eu lembrei de Silent Hill.Estava mais sinistro.
Tinha tanta gente na rua que por um momento eu cheguei a pensar que ali não era onde eu morava.
Depois de horas de muita luta, finalmente os bombeiros controlaram o fogo e se foram. E a rua ficou do jeito que sempre fica. Chata e parada. Somente as crianças ainda estava na maior euforia falando do acontecimento daquele sábado. Ficou Bem diferente esse sábado.
E no final de tudo, parecia que todos já haviam esquecido o acontecimento e a calmaria do lugar voltou. Tava tudo como antes no castelo de Abrantes e foi neste momento que me lembrei de um trecho da música "A Banda" de Chico Buarque de Holanda que dizia " ... e cada qual no seu canto e em cada canto uma dor, depois da banda passar, cantando coisas de amor..."



10 de mar. de 2011

Lembranças de infância


     O falso PM

                                           

      De vez em quando eu me pego navegando no passado bem longínquo onde passei minha infância e fico lembrando de cada coisa que Deus me livre. Até eu achava que tinha esquecido, mas ainda me lembro. São coisas engraçadas, outras ruins, outras bobas, mas eu me lembro e prefiro recordar e contar aqui as lembranças engraçadas porque são as mais viáveis, afinal de contas não é interessante ficar relembrando coisas tristes não é mesmo?
     Acho que eu tinha uns 11 ou 12 anos, isso eu não me lembro muito porque já faz muitos anos e estávamos eu, minhas irmãs, a Regina, o Jorge, Urubatan, Alex, Lairton, Dinho, Silvinho e uma penca de colegas da rua lá de Honório Gurgel brincando de passa-anel e estávamos todos sentadinhos na beira do meio fio da calçada em frente à minha casa enquanto um estava de pé com as mãos escondendo uma pedrinha que era o anel (o anel era fictício mesmo) e poderia ser qualquer coisa os outros aguardavam com a mão fechadinha igual quem tá rezando , quando de repente passa correndo e com cara de apavorado um rapaz desconhecido e olhando pra trás e atrás dele, veio correndo um vizinho nosso que tinha mania de bancar o policial, gritando para ele parar e de arma em punho, dando tiros para o alto. Foi um reboliço do cacete. Todo mundo correu pra dentro da minha casa e ficamos olhando com os olhos arregalados pela varanda da minha avó tentando entender o que estava acontecendo.
      Meu tio que ainda era um meio adolescente saiu correndo também atrás do camarada junto com os dois outros amigos dele lá da rua. Acharam que era um bandido que estava na área e foram ajudar o vizinho metido a PM. Correram e sumiram na poeira, ele, os colegas dele, o vizinho e o pobre coitado do “suposto bandido”.
      As mães apareceram todas de repente e de uma vez só, todas berrando os nomes dos filhos, apavoradas com os tiros que tinham ouvido. Mais apavoradas elas ficaram quando nós dissemos que meu tio e outros dois colegas tinham ido também atrás do cara com o vizinho maluco.
      Ficamos de butuca ligada,  com o pé lá  outro cá e minha mãe e as vizinhas fofocando e cada uma palpitando o que teria acontecido pro tal vizinho ter corrido atrás do camarada. Minha mãe tava bem nervosa porque o irmão dela estava lá pra longe e a gente sem saber o que fazer e nem o que tinha acontecido.
          Quase uma hora depois apareceram lá no final da rua, meu tio, os dois colegas e o vizinho maluco. Vieram conversando e parecia que estava tudo bem.
     O vizinho “PM” passou direto com o trabuco na mão em direção a sua casa e meu tio e os colegas foram bombardeados com um monte de perguntas. Todo mundo queria saber o que tinha acontecido. Onde estava o meliante e porque dos tiros, se o cara tinha morrido, se tinha levado bala.Todo mundo falava ao mesmo tempo e a minha mãe repreendendo meu tio que não tinha nada que ter ido lá.
     Meu tio na maior calma falou que não foi nada não. O vizinho “PM apenas suspeitou do rapaz quando ele passou pela rua e lhe deu “voz de prisão” e o mesmo assustado, pensando que ele era um assaltante, tentou fugir empreendendo maior velocidade nos passos e isso foi o que deu a certeza ao vizinho “PM” maluco que o jovem era “suspeito” e tava devendo algo, senão não correria. Correu atrás dele, gritando prá parar e ele danou a dar tiros pro alto porque o cara tava fugindo.
     O negócio não prestou não. A mulherada bateu na porta do vizinho maluco e o bate boca durou foi tempo e não demorou muito a PM verdadeira chegou à casa do maluco com o “suspeito” do lado. Ele deu parte na polícia, por ser um homem de bem, trabalhador e confundido com bandido e quase morto a tiros por uma falso policial e o feitiço virou contra o feiticeiro. O vizinho teve sua arma (que eu não sei onde ele conseguiu) apreendida e ainda foi convidado a prestar depoimento na delegacia.
      Eu sei que a mulherada da rua não aliviou ele não, ao contrário achou bem feito pra ele aprender a não ficar dando tiros na rua cheia de crianças e crianças delas ainda por cima.
     Depois disso ele custou a aparecer na rua e as mães avisaram: se ele aparecer, chama a gente!



Mais uma lembrança que tive agora.

 As duas vizinhas

 
Eu tinha duas vizinhas que se destacavam na rua e todo mundo conhecia porque elas brigavam muito e eram muito escandalosas e depois ficavam amigas que pareciam ter nascidos uma pra outra.
     Eram bem sem vergonhas, isso sim.
     O tapa comia solto em um dia e no outro eram só altos papos e gargalhadas.
     Mas teve uma vez que uma delas queria ir a Praia de Ramos tomar uns caldos e pediu emprestado o maiô à outra. Como a outra não ia à praia naquele domingo ela emprestou, mas deu mil recomendações ao seu maiô horroroso cor de abóbora. E lá se foi a outra toda “posuda”  pra praia tirar umas ondas com o maiô da amiga.
     Depois de se esbaldar o dia inteiro na “merda”, (porque aquela praia era cocô puro naquela época), chegou queimadinha da praia e toda feliz e foi tomar um banho prá ficar cheirosa e depois ir prá rua fofocar.
     As duas “peças” e mais uma meia dúzia de mulheres ficaram fofocando a tarde toda até que a dona do maiô perguntou: - cadê meu maiô? A coleguinha respondeu  que tava lavando e assim que secasse ela devolvia. Podia ficar tranqüila.
     Passaram uns dias e escutei quando a dona do maiô bateu palmas na casa da amiguinha e gritou lá do portão: Cadê meu maiô??? Não conseguiu secar não é? Sua piranha!  Tá querendo ficar com meu maiô, é?
      Pronto. Minha mãe falou. Agora mesmo é que ela não vai ver mais maiô nenhum.
     Não deu outra. A amiguinha saiu de casa cuspindo maribondo e perguntando quem é a piranha que você ta falando aí minha filha? Eu não quero essa porcaria de maiô não, todo rasgado, ferrado, prá que eu quero uma porcaria desta?
     Rasgado? A outra deu um grito e repetiu eu acho que umas dez vezes. RASGADO? Ele não tava rasgado não sua piranha. Você é que é gorda demais e acabou com meu maiô. Eu vou querer outro novinho!
     A outra deu uma gargalhada bem debochada lá de dentro do quintal e ainda  colocou a mão nas cadeiras e gritou: Quem você ta achando que é sua vaca? Piranha é você que ta querendo se aproveitar e ganhar um maiô novo e eu não vou te dar nem novo e nem velho. Vai ficar sem maiô prá aprender a respeitar os outros! E piranha é você!
        Quando eu vi a outra tava pulando o muro e nem deu tempo da amiguinha correr. Rolaram as duas no chão e o coro comeu. Foi tapa prá tudo quanto é lado. A rua encheu. O povo todo se debruçava no muro prá olhar a briga lá no quintal. 
       Até que a joaninha (um fusca pintado de preto e branco da polícia civil)  chegou e quando o policial viu que eram as duas de sempre que estavam de novo se grudunhando ficaram até desanimados. Não se meteram. Esperaram elas se cansarem e perguntaram se iam querer registrar alguma queixa ou queriam deixar prá lá. As duas entraram quase que juntas dentro da joaninha e os policiais foram embora com elas.
     Mais tarde, quase de noitinha as duas voltaram de joaninha e foram deixadas em casa. As duas com cara de bunda. O doutor delegado deve ter passado um sabão nas duas.
     Passaram um bom tempo sem se falarem.
     Virava a cara uma prá outra, até que eu não lembro o que foi que aconteceu na rua que foi a oportunidade para que voltassem a se falar.
     O papo do maiô foi esquecido totalmente até que a toalha de praia não foi devolvida.

 

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13 de fev. de 2011

Olha o macaquinho!

   

     Semana passada meu cahorro estava latindo desesperado e era dia ainda e fui correndo ver o que ele queria. Ele rosnava muito e olhava inquieto para a casa dele. Olhei lá dentro, não vi nada mas escutei um assovio. Pensei que era uma cobra e dei dois passos para trás e o cachorro latindo que nem um doido. Arrastei a casa dele e quem saiu lá de trás todo espantado? Não, não era uma sapo. Era um macaquinho. Daqueles miquinhos de rabo bem grande e me olhava com raiva porque tirei ele do esconderijo. Ele correu para debaixo da casa do cahorro de novo. E quanto mais eu arrastava a casa do cachorro mais ele assovia e corria de novo lá para debaixo.Chamei meu marido para me ajudar e o macaquinho ficava quietinho lá debaixo e parecia estar machucado e ofegante. Talvez estivesse só com medo do cachorro. Eu até pensei que ele tava morrendo mas assim que ele se viu livre do cachorro sumiu na poeira
      Tive de prender o cachorro na varanda para  pensar o que eu poderia fazer para o mico ir embora. Ele era bonitinho mas eu estava com medo dele e ele de mim e quando ele viu que o cachorro tinha sumido correu para os fundos do quintal, lá onde tenho a horta e subiu no pé de jaca da minha vizinha e depois de horas sumiu pelo mato a dentro.
     Foi divertido e até me lembrei de filmar o danado mas a filmagem ficou terrível. Então eu tirei uma foto que também não ficou muito boa porque tive de me deitar no chão, mas se vocês olharem bem debaixo da casa do cachorro dá para ver ele.




     Já essa semana agora foi de muita chuva por aqui e hoje mesmo caiu um temporal feroz com direito a raios e trovões,  por volta das 13 horas mais ou menos e só dá para ficar fazendo arte mesmo. Computador não se liga em dias chuvosos, pelo menos eu não ligo. Se queimar não vou poder mais postar, então é melhor inventar modinhas e tentar fazer artesanatos para passar o tempo. A energia elétrica foi-se embora depois que um raio caiu aqui por perto e aproveitei fiz várias coisinhas e lá vão as fotos que tiro de cada coisa que termino para vocês terem uma idéia. Obrigada por ter vindo e pode deixar comentários de qualquer natureza, pois estou preparada, já que não sou artesã, faço apenas como terapia. E ainda de quebra vou mostrar meu pé de chuchu e pimenta que plantei em meu quintal, como havia prometido. Boa semana prá vocês!






4 de fev. de 2011

Lembranças




     Falando em coisas que me lembro, lembrei-me de repente de um episódio que me aconteceu há muitos anos atrás e quase já havia apagado da mente.
     Eu morava com meus pais e irmãos em Madureira e se não me falha a memória eu estava com oito anos, mais ou menos.
     Eu morava na Rua Maroim em Madureira que agora parece que mudou de nome. Ela era asfaltada e ficava próxima a escola normal Carmela Dutra que eu acho que ainda existe. A rua era asfaltada até um determinado ponto onde começava o morro. Era uma subida e tanto e já javiam muitos barracos naquela época. A rua subia e subia e lá de baixo os barracos ficavam pequeninos de tão alto e tão populoso.
     Eu estava olhando a rua pelo buraco do portão, porque minha mãe não deixava a gente brincar na rua naquela época. Já havia bandidos naquela época também e passava carros de vez em quando.
     Notei que havia uma multidão cercando alguém caído na rua e um falatório desesperado e tinha até gente chorando naquele meio de gente e fui chamar minha mãe para ela saber o que estava acontecendo.
     Vi quando minha mãe abriu o portão e se dirigiu ao povo e ficou assuntando por lá e depois de algum tempo ela veio embora e disse pra mim ir brincar porque aquilo não era coisa pra criança ficar olhando.
     À noite eu ouvi minha mãe em conversa com meu pai dizer que havia uma mulher morta na rua e que a ambulância havia deixado ela por ali ainda viva porque os homens da ambulância não poderiam subir o morro e ela acabou passando mal e morrendo no asfalto. Ela havia sido operada e saíra do hospital sem estar muito boa e por isso não agüentava andar, mas ela teve que fazer isso porque não tinha outro jeito e não resistiu.
     Lembrei-me de que o pessoal lá na rua estava meio revoltado gritando uns plavrões bem alto e eu não soube entender se eles não subiram porque a ambulância não ia dar conta de subir ou porque estavam com medo dos bandidos.
     Que final teve toda essa história e falatório eu não fiquei sabendo, mas sei que a mulher morreu e que hoje eu posso assegurar que o problema da saúde é pra lá de velho nesse meu país. É uma pena, mas até hoje morre gente assim.
     Tenham uma boa semana!
 







3 de fev. de 2011

Era só o que me faltava




    
     Escuta essa!
     Ontem acordei um pouco mais tarde porque já eram quase 9 horas da manhã e fui correndo molhar minhas plantas antes que o sol batesse nelas.
     São samambaias na varanda e uma horta enorme no quintal dos fundos. Qualquer dia desses vou tirar umas fotos do pé de chuchu que tenho lá e as pimentas que semeei e já estão enormes. Enquanto eu molhava as plantas,  voei no pensamento e fui até a minha terra e me lembrei de quando eu era criança e ficava paquerando a mangueira enorme e cheinha de mangas que minha vizinha em Madureira tinha. Nunca pedimos nenhuma manga a ela e ela também nunca ofereceu nenhuma a nós. Eu me mudei daquela casa com a vontade de comer uma daquelas mangas. Será que se eu pedisse uma manga ela me daria? Sei não. Meu pai ensinou pra gente que não se deve pedir as coisas de comer  para os outros a menos que fosse por necessidade. Então, fiz obedecer e lá no meu íntimo prometi que um dia eu teria um quintal com um monte de mangueiras. E tive. Morei em uma casa anterior a essa que moro agora, onde havia quatro mangueiras, além de outras frutas e todo fim de ano elas ficavam carregadinhas. Uma delas era daquela manga rosa, bem grande e bonita que se vende em mercados no final do ano para enfeitar a mesa de natal.
     Essa era especial, porque ficava na frente da casa e os galhos de tão pesados caíam por sobre o muro deixando as mangas do lado de fora, rente à calçada para qualquer um que quisesse pudesse pegar uma manga e saísse comendo. Eu gostava de ver meus vizinhos chegando até o pé de manga e retirando as mangas para eles. Dava-me uma certa alegria.
     Eles sabiam que podiam fazer isso porque eu já havia falado com todos eles que não precisaria me pedir, poderiam pegar quando quisessem.
     E as outras mangueiras que ficavam do lado de dentro do meu quintal, eu colhia as mangas e separava uma parte para o asilo que havia ali perto e o rapaz que recolhia donativos vinha pegar em minha casa para ser levado para o asilo e lá eles faziam suco e o restante das mangas eu colocava nas sacolas e levava para meus vizinhos.
     Nesse mesmo quintal havia um pé de abacates gigantes. Eles eram enormes e pareciam uma pêra gigante. Quando estava bem carregado a minha única preocupação era que eles caíssem e machucassem alguém, principalmente meus filhos que ainda eram pequenos e poderiam até morrer devido a altura em que eles se encontravam e por causa do tamanho deles.
     Num belo dia,  apareceu um carroceiro perguntando se eu poderia vender alguns abacates para ele e eu falei que ele poderia pegar quantos quisesse. O homem subiu no abacateiro com um cinto de segurança e começou a recolher os abacates e encher a carroça. E quanto mais abacates ele pegava mais eu me sentia aliviada pelo favor que ele estava me fazendo e no final eu lhe disse que ele não precisaria me pagar por nada, afinal ele me livrou de um pesadelo que eu vivia todos os dias.
     Apenas agradeci e ele se foi. Resultado: meus vizinhos ficaram irados comigo porque eu acabei com todos os abacates sem me lembrar de separar os deles. Teve um até que falou que eu fui muito boba em não ter vendido os abacates e que o carroceiro era um bicho muito folgado. Como sou muito boazinha e não brigo com vizinho de jeito nenhum, apenas sorri e deixei pra lá. Chupa essa manga!