Quando os bombeiros chegaram não havia nada para se fazer. Aliás, o bombeiro não tinha nada que estar ali. Não tinha nada para os bombeiros resolverem.
     Os bombeiros assuntaram, perguntaram, mas ninguém sabia quem havia chamado por eles. Não havia fogo, não havia nenhuma emergência.
     Como eles chegaram tocando a sirene muito alta a vizinhança correu toda prá rua ver o que estava acontecendo e um perguntava pro outro: O que houve? E um respondia pro outro - eu sei lá, pensei que tu soubesse, você que tá aqui...
     O negócio é que os bombeiros disseram que alguém ligou desesperado chamando por eles e que uma casa tava pegando fogo. Ninguém sabia de fogo nenhum, quem tinha feito o  chamado e eles foram embora amargando mais um dia em que algum desocupado lhe passou mais um trote.
     É incrível, mas essas coisas acontecem e é toda hora. Coisa de quem não tem mesmo o que fazer, muitos disseram e um a um foi voltando para suas casas. Não tinham fofoca prá fazer também, então fazer o que?
     No mesmo dia à tardinha, a sirene dos bombeiros tocava alto novamente. Correram todos prá rua de novo, imaginando que agora os bombeiros acharam o que não viram da outra vez.
     Não eram os bombeiros. A sirene estava vindo de uma casa vizinha. Um rapaz que morava numa das últimas casas da rua acabava de colocar seu gravador acoplado em duas poderosas caixas de som e repetia a sirene dos bombeiros e de sobra ainda ria da cara do povo que olhava prá ele indignados.
     Teve gente que quis bater no sujeito e teve gente que segurou os mais exaltados pro cara não apanhar. Bem que merecia. Eu era criança e ainda me lembro da confusão que deu. Minha mãe gritava lá do portão, prá eu sair dali senão eu também ia apanhar.
     Hoje sei que ele é um tremendo de um desocupado, prá não falar outra coisa. Sem contar que vira e mexe ele colocava a sirene prá tocar só prá ver o povo correr prá rua e chamar todo mundo de fofoqueiro. Isso aconteceu no Rio e é uma das lembranças que eu tenho da minha infância.
     Eu nunca me esqueci dessa história e embora ela não seja engraçada, hoje me dá vontade de rir.



1 comentários:

Thais disse...

Eu adoro essas lembrancas da infancia de vcs, tem cada historia... E vc eh a que mais se lembra de tudo...na minha geracao, essa pessoa vai ser a Roberta rs. Mas se lembra da historia do porco? um porco q entrou no quarto de vcs sei la...eu nao esqueco essa historia hahahaah

 
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