ontem eu estava estava assistindo televisão, uma coisa rara que faço em minha vida e fiquei rindo de um desenho do coiote que fica atrás do papalégua e nunca consegue pegar o danado do bicho. É um desenho que não tem fim. Igual o Tom que nunca não pega o Jerry. Quando pega, alguma coisa dá errado e eles voltam a estaca zero. Faz parte. O desenho é assim e ponto final. E não sei porque me vieram lembranças de quando eu era criança e morava em Honório Gurgel. Estávamos todos meus coleguinhas da mesma idade, Regina, Minhas irmãs, Lairton, Roberto, Alex, Ivam , Mocinha e Menininha, Gina etc.... Não me lembro do que estávamos brincando mas estávamos em frente a casa do dona Glorinha mãe do Renato e Rafael e Luizinho. A brincadeira de repente acabou porque passou por nós uma raposa correndo e atrás dela já haviam uma penca de crianças correndo atrás. Gente, não é todo dia que aparece uma raposa em um morro, ainda mais de dia e agente não poderia ficar fora dessa. Todos os meus colegas inclusive eu corremos atrás da raposa. Eu nem sabia pra a gente tava fazendo aquilo. Só que ela foi lá pra trás da casa do Dona Ondina, justo onde termina a rua e forma um abismo que olhando lá de cima se veem as casinhas pequenas lá embaixo. Só que pela lateral do quintal da dona Ondina tinha cercas e quase que metade das crianças voltaram e desistiram. Foram aquelas que já tinha vindo de longe e algumas mais medrosas que não queriam cair no precipício. Mas eu, Mocinha Menininha, Nelsinho, Ivam e não lembro mais quem agarramos na cerca sem olhar para baixo, tocava o pé onde dava e suada, suja e toda corajosa, lá fomos nós e conseguimos passar pelo abismo se pendurando na cerca da dona Ondina que hoje eu posso dizer que tava firme. A raposa já estava com a língua pra fora mas não parava de correr e lá ia a gente atrás dela. Mais alguns acabaram desistindo e voltando para casa com medo da mãe bater e outros porque estavam cansados mas eu não tinha reparado ainda nisso porque eu só corria atrás da raposa e não tirava os olhos dela pra ver por onde ela ia. Quando eu dei por mim eu estava no meio de um povo que eu não conhecia e que começaram a cercar a raposa de todo jeito. Apareceram homens já adultos, um bando de mulheres gritando pelas crianças, mandando elas irem pra dentro e um homem do nada veio com uma rede de pescar, que os outros chamam de tarrafa, acho que é isso e embolou a danada da raposa todinha ali. Foi então que eu parei e respirei com dificuldade de tão cansada e aí eu reparei que da minha turminha não tinha sobrado ninguém. Fiquei com medo. Sabia que minha mãe ia me bater quando voltasse porque eu estava em um lugar que eu não conhecia e nem sabia como fazer pra voltar. Me enchi de coragem e perguntei a uma mulher que estava com uma criança no colo e perguntei à ela que lugar era aquele e ela disse que era o Parque São Luis. Meus olhos já eram grandes mas tenho certeza de que ficaram bem maiores, porque eu conhecia aquele lugar de ouvir falar. Nunca tinha ido lá e é lógico que eu não ia saber voltar. Mas eu tinha que voltar para minha casa. estava com fome, sede e cansada e pra variar toda suja do barro de quando agarrei nas cercas e árvores pra não cair no abismo do fim da rua. Pedi a mulher um pouco de água e ela abriu a borracha que saia da bica e falou pra mim me virar. Estava deliciosa aquela água. Comecei a andar pelas ruas e via uma estrada passando lá no final, onde não tinha mais casas e corri pra lá achando que dali daria pra ver onde era minha casa. Não deu pra reconhecer nada. Meu coração começou a acelerar e fiquei com medo. Ali só passavam carros e caminhões e mais nada. Não tinha ninguém pra,mim perguntar nada, então resolvi voltar pro meio do povoado pra pedir informações. Falei o nome da minha rua e ninguém conhecia e falei a rua onde eu estudava aí sim um Cristão falou que sabia onde era. A rua dos Diamantes era onde a filha dele também estudava e ele me apontou a direção onde eu teria de andar sem parar, sem fazer curva, sem ir devagar porque era longe. Depois pra me apavorar disse que aquele lugar tinha muitos vagabundos e pra mim andar depressa senão eu só ia chegar à noite. Legal ele, nem me acompanhou depois dessa revelação macabra. Andei, andei, andei e olha que eu andei. Acho que nunca andei tanto na minha vida. Nunca tive tanta saudade da minha casa, nem estava mais ligando que minha mãe me desse uma surra contanto que eu achasse a minha casa e pudesse dormir na minha cama quentinha naquela noite. Quando o caminho que o homem me indicou estava quase acabando pulei de alegria. Eu conhecia aquele lugar. Estava em Rocha Miranda e mais um pouquinho eu chegaria lá na praça. Depois foi só achar a Rua dos Rubis, entrar na Diamantes e andar e andar e enfim cheguei na minha rua. Meus colegas traidores que me abandonaram ficaram tudo rindo de mim porque eles já tinham almoçado, tomado banho e sabiam que minha mãe estava há horas me procurando. E eles falaram na cara de pau que eu fui caçar uma raposa e que minha mãe ia me dar a maior surra. Minha mãe devia estar espumando em casa, pensando se batia com o cinto ou com a vara, ou sei lá com que. Xinguei todos eles, mandei pararem de rir porque eles eram tudo uns medrosos e disse que eu ajudei a pegar a raposa e eles nem viram. Contribui sim, já que os homens só viram a raposa porque eu corria e gritava pra ela parar e isso chamou a atenção dos homens. Depois que eles conseguiram pegar a danada, eles disseram que ia entregar no zoológico, mas pra mim eles iam comer ela ensopada. Fiz o sinal da cruz e entrei em casa. Estava tão cansada, tão cansada e tão suja que minha mãe ficou com pena de mim e falou: parece maluca garota. Você podia ter morrido, podia ter caido lá embaixo na barreira, poderia ter sido atropelada, Vai tomar banho que você tá horrível! Tomei banho quase dormindo. Almocei quase na hora da janta e depois me juntei aos amigos na esquina rindo muito e falando o tempo todo daquele dia. Acho que até hoje eles não acreditam muito nessa historia que eu vi pegarem a raposa, mas também, ninguem foi junto. Foi uma aventura. Hoje não consigo dar 3 passos e já tô cansada. Eta vidinha mais ou menos..






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