Estive no Rio em Janeiro e reencontrei com vários amigos e parentes que eu não via há muito tempo. Teve gente que vi quando ainda eram crianças e hoje já são rapazes e moças casados, com filhos da idade que eles estavam quando eu os vi pela última vez. Foi tudo muito lindo, aquele reencontro, cheio de abraços, beijos e saber que muita gente tinha saudades de mim e que me guardavam em seus corações como uma pessoa especial, querida. Assim como eu, ele tinham muitas saudades, afinal foram 16 anos que eu não os via. Mas, tive um momento de angústia e tristeza porque nem todos estavam lá. Alguns já haviam morrido e não tinha como reencontrá-los. A parte do crescimento e amadurecimento daqueles jovens que eu perdi e não estive por perto, me entristeceu profundamente. Olhava para eles e estavam todos ali. Crescidos, criados, bonitos e felizes mesmo sem mim. Senti um aperto, porque de repente me veio às cenas antigas na minha mente de tudo que ficou para trás e que eu perdi. Senti como se fosse apenas mais uma lembrança das vagas lembranças que todos tinham. E o que eu queria? Fazer voltar o tempo? Receber de todos a mesma atenção de outrora? Não posso mais. Essa fase já se passou. Os laços mais apertados se afrouxaram e o bem-querer que me tinham, já não mais existia com a mesma intensidade. Senti que faltou algo. Um calor maior, um abraço mais apertado. Uma emoção talvez maior. Não culpo ninguém por ter se esquecido de mim, porque eu apenas sentia saudades mas não procurei matar essa saudade com a mesma força de que ela me castigava. Ninguém sabe, mas eu sofri por isso. Por mais que eu tenha tentado me adaptar a nova cidade em que fui morar, por mais bonita que fosse, por mais que eu trabalhasse, nada me alegrava. Apenas quando meus filhos vieram é que meus pensamentos se voltaram mais para eles e de certa forma essa saudade amenizou. E a vida se passou, passando todos os momentos em que não estive presente. Todas as festas das quais não participei,todos os nascimentos que não presenciei, todas as alegrias que não compartilhei, vieram em minha mente e só fiz lamentar. Tudo aconteceu e eu não vi. Não abracei quem eu queria, não chorei junto com quem precisava, não cumprimentei quem deveria. Mesmo assim eu nunca os esqueci um minuto sequer. Nunca deixei de suspirar fundo e lamentar por todos os momentos bons e ruins que deixei de comparecer. Só peço que eles saibam que, chorei sim, me alegrei sim, vivi sim, tudo que passaram e eu não pude estar presente. E por mais que essa distância nos afaste, nada nem ninguém me faz esquecê-los e eu jamais deixaria de partilhar emoções com as pessoas que tanto amo. E cada tio, cada tia, cada primo, cada prima, cada sobrinho, cada sobrinha, cada amigo, cada irmão, cada cunbhada e cunhado, quero que todos saibam, que sem exceção, cada um é um pedacinho do meu coraçao despedaçado.

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